sábado, 25 de setembro de 2021

Os Museus brasileiros do Século XIX - O Museu Nacional

 

Museu Nacional - 




Criado em 1818, inicialmente funcionou na região central da cidade do RJ (Campo de Santana); a partir da República é transferido para o prédio na Quinta da Boa Vista, Bairro de São Cristóvão, local que foi residência da Família Real desde a chegada da Família Real, em 1808. 

A ênfase nas Ciências Naturais esteve presente desde a fundação do Museu e se insere dentro do modelo dos museus europeus do século XIX ("nações civilizadas"): museu universal, de caráter enciclopédico com coleções que representassem diferentes lugares do mundo, com especificidades do território nacional. 

Para isso, a partir de meados do século XIX é iniciado um processo de explorações científicas das regiões brasileiras com objetivo de identificar recursos de aproveitamento comercial e industrial nas áreas da mineração e agricultura. A partir de coletas realizadas em campo a partir desse período dá-se início a acervos e pesquisas relacionadas à Paleontologia, Antropologia, Etnologia. 

O principal viés abordado nas pesquisas, formação de acervo e exposições realizadas esteve em consonância com as perspectivas teóricas permeadas pelo evolucionismo, positivismo e naturalismo.

Nas últimas décadas do Período Imperial o Museu se volta para uma dimensão pedagógica com a publicação de arquivos e exposição com ênfase na Antropologia. 

Com o fim do Império, o Museu Nacional passa um período de estagnação nas primeiras décadas do século XX até que em 1946 é incorporado à UFRJ e passa a fazer parte da estrutura acadêmica e ao longo do século XX e primeiras décadas do XXI agrega departamentos de diversas áreas científicas e sua dimensão de ensino assim como o desenvolvimento de pesquisas, laboratórios e acervos.

Outros importantes Museus voltados às Ciências Naturais que surgiram no Brasil na segunda metade do século XIX: 

- 1876 - Museu Paraense Emílio Goeldi, especializado em zoologia e botânica da região amazônica; 

- 1894 - Museu Paulista, formado a partir da coleção de zoologia de Hermann von Ihering; só a partir da década de 1930, será transformado em um Museu Histórico.

Referência: 

LOPES, Maria Margaret. O Brasil descobre a pesquisa científica: os museus e as ciências naturais no século XIX. São Paulo: Hucitec, 2005

página do Museu Nacional: https://www.museunacional.ufrj.br/ 


NOTÍCIAS ATUAIS E POLÊMICAS SOBRE O MUSEU NACIONAL: 


Governo quer transformar Museu Nacional em Palácio Imperial

https://www.metropoles.com/brasil/governo-quer-transformar-museu-nacional-em-palacio-imperial 


Nota sobre a transformação do Museu Nacional em centro dedicado à família imperial (Forum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro

https://forumpatrimoniobr.wordpress.com/2021/03/27/nota-sobre-a-transformacao-do-museu-nacional-em-centro-dedicado-a-familia-imperial/ 


Museus do século XIX e o confisco de bens culturais como meio de constituição de acervo

 


A partir da Revolução Francesa, em fins do século XVIII, os museus passaram a se constituir enquanto espaços públicos de exposição de acervos e coleções. E desde então passou também a ficar evidente a disputa que existe entre quais são os objetos musealizados - preservados/expostos - e quais os objetos que estarão ausentes dos museus, gerando um processo de apagamento da memória.
No que diz respeito ao pós-Revolução Francesa, muitos bens confiscados da nobreza e clero passaram a fazer parte de exposições com o intuito de servir à instrução pública.
Ao contrario dos colecionismos do Antigo Regime, no qual se destacavam o acúmulo no que ficaram conhecidos os "gabinetes de curiosidades",  o contexto do pós-Revolução Francesa e da visão iluminista, começam a ser estabelecidos critérios de aquisição de bens, metodologias de exposição e também normas de conservação.  O ponto de destaque é a fundação do Museu do Louvre em 1793. 

(BLOM, Philipp. Ter e manter: uma história íntima de colecionadores e coleções. Rio de Janeiro: Record, 2003.)
A partir do Império de Napoleão, as conquistas territoriais estabelecidas pelo exército francês foram meios de confisco de obras de arte e coleções valiosas de países vencidos, sob justificativa de que a França como país da liberdade, era o lugar adequado para guardar e conservar os patrimônios. 
Nas últimas décadas têm crescido um movimento de países que reivindicam a repatriação dos bens culturais que foram roubados ao longo dos séculos de conquistas e colonialismos europeus ao redor do mundo. 

"Redescoberta: 500 anos ou mais, realizada em São Paulo. Na ocasião, foi trazido do Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhagen, um manto de penas vermelhas que pertenceu aos Tupinambá. Descendentes daquele povo, os Tupinambá de Olivença vivem no município de Ilhéus, na Bahia, e, ao tomarem conhecimento do artefato, reivindicaram sua permanência no Brasil. A demanda, no entanto, não teve sucesso. “Até meados do século XVIII, os Tupinambá se dividiam em diversos grupos espalhados por toda costa brasileira, do Pará a São Paulo, e mais de um grupo se considera seu descendente. Se o pedido de repatriação dos Tupinambá de Olivença fosse acolhido, muito provavelmente surgiriam disputas em torno do manto”, analisa Christofoletti. O historiador indaga se, nesse caso, o mais adequado não teria sido o Estado brasileiro incumbir-se da solicitação, responsabilizando-se pela guarda do objeto em um de seus museus. Criado em 1819, o Museu Nacional da Dinamarca teria recebido a capa de Mauricio de Nassau (1604-1679), chefe da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais em território brasileiro. Christofoletti explica que, no total, existem seis mantos tupinambás remanescentes conhecidos pelos historiadores. Todos estão fora do país e integram acervos de museus europeus." (QUEIROZ, Christina. Possibilidade de repatriação de bens culturais mobiliza debate sobre manejo de coleções formadas a partir de legado colonial. In: https://www.institutobuzios.org.br/repatriacao-de-bens-culturais-o-debate-sobre-colecoes-formadas-a-partir-de-legado-colonial/ )

"Das peças indígenas a fósseis: os itens culturais brasileiros que estão ou correm risco de ir parar no exterior" https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42405892 
Foto: Niels Erik Jehrbo/Museu Nacional da Dinamarca




domingo, 19 de setembro de 2021

Ainda sobre Coleções e objetos semióforos (continuum)

Às vezes eu me pego tendo lembranças muito específicas e muito vivas da minha infância. De detalhes que ficaram em algum lugar da minha memória e ressurgem não sei bem como... mas acho que tem algo a ver com algum sentido/sensação que ficou gravada afetivamente.

Essa semana tive disso.

Relembrei da sensação de passar a mão em uma cortina de fios de conta de de plástico. Não sei de que casa era. Suponho que de uma avó, de alguma tia ou vizinha. Era um tipo de cortina usado em portas, para separar a cozinha da sala. alguma decoração, de casa de vó nos anos 80, suponho... tenho uma vaga lembrança de que era verde clarinho ou cor de rosa (hehe). e as contas/miçangas dispostas nos fios de cima abaixo formavam na cortina espécie de figura geométrica. a cortina ficava amarrada para não atrapalhar a passagem. mas quando ficava solta era bom de passar por ela e ser envolvida pelos fios.

eu fico com essa lembrança aleatória e com uma ânsia de preencher as informações que faltam: "na casa de quem?, mãe, pai, vcs lembram disso?"

E nessa lida de procurar imagens na internet de coisas dos anos 80 que me ajudassem a preencher as lacunas da memória, encontrei azulejos que também fizeram parte da minha infância.

O "Flor" era do banheiro da nossa casa em que nasceu a minha irmã. A casa ficava na rua do Comércio ao lado do Armazém do Délico, onde eu estacionava o meu cavalinho de pau e ia acompanhar alguém de casa que ia comprar alguma coisa e um sorvete seco pra mim.


O “Ana Rosa” era do banheiro da casa da minha tia. É uma lembrança muito viva e fazia muito tempo que precisava encontrar esse azulejo, para revê-lo. Não lembro de outra coisa, só da parede com esse azulejo. E de que a casa dela ficava para lá da Sogi, era abaixo do nível da rua e tinha que descer escadas para entrar na casa.



Tento puxar essas lembranças nas outras pessoas da família, meu pai lembra vagamente... de resto, geralmente fico com uma leve sensação de sina de 'Funes', a memoriosa... não sei explicar porque algumas lembranças garram em mim e não nos outros...
Vou deixar a página dos azulejos aqui... muitos são lindíssimos... todos invariavelmente trazem de volta os banheiros e cozinhas das casas dos anos 70/80. http://www.azulejosantigos.com.br/.../azulejos.../15x15-cm/1
e faço um apelo que se alguém lembrar das cortinas, dê um salve, não me deixe só (não encontrei nada na internet e ninguém da minha família sabe do que eu to falando hehehe)

Ainda sobre Coleções e objetos semióforos


OBJETO AFETIVO (lá da aula de Iniciação à Museologia, do 1º trimestre. trouxe pra cá pra não se perder) 




  livro "Menino Maluquinho" do Ziraldo

- O valor afetivo, que conferem os elementos extrínsecos ao objeto.... ganhei da minha mãe, quando eu tinha 2 anos, sempre foi dos meus livros preferidos. Guardei vários livros da infância que depois repassei pro meu filho, Pedro. Esse foi um deles. Quando eu estava grávida, em 2006, eu fui dispensada do meu trabalho na época... (por sinal, não é algo que eu gosto de rememorar muito, mas acho que cabe comentar de forma particular, que naquela época fiz parte da equipe/projeto que organizou o Museu Comunitário da Lomba do Pinheiro). Depois, acabei conseguindo um bico na Feira do Livro e em um dia havia um evento com o Ziraldo na parte infantil da feira. Participei da atividade e levei o livro do Menino Maluquinho pra ele autografar... (foi a primeira vez que fiquei sabendo que havia uma N. Sra do Bom Parto hehehe). Achei fofo da parte dele.



Gosto demais desse livro... liga a minha infância com a infância do meu filho. 

No fim das contas, a história do menino maluquinho acabou tendo várias coisas em comum com a história da infância do meu filho... ele sempre adorou uma bagunça, jogar futebol na posição de goleiro, ele sempre foi muito levado e é uma criatura maravilhosa... ele também se tornou filho de pais separados que nem o menino maluquinho...

Ziraldo disse que o livro era da primeira tiragem, e reconheceu por causa desses desenhos, que disse que só saíram na primeira tiragem hehehe


O livro tem diversas marcas do tempo e do uso... as folhas estão amareladas e tem algumas anotações de nomes de crianças a lápis, imagino que minha mãe usou em alguma aula com alunos (a letra é dela); 

A capa está desgastada e tem alguns respingos de uma caneta que era febre quando eu era criança, era uma caneta metalizada. 

Já pensei em tatuar esse desenho, pq quando era menor, meu guri corria desse jeito:



no jogo de futebol meu filho gosta de ser goleiro 







Os Museus de História e a Escrita do Passado Brasileiro - Museu Histórico Nacional

  O livro é o resultado da pesquisa de Regina Abreu, na qual são analisados os processos culturais e simbólicos envolvidos na composição das...