Miguel Calmon - vida pública inicia em 1892, como Secretário de Viação e Obras Públicas do Estado da Bahia; por duas vezes foi ministro de Estado; Deputado Federal e Senador. Com a Revolução de 30, Miguel Calmon perdeu seu mandato, distanciou-se da política. Faleceu em 1935. Alice da Porciúncula Calmon du Pin e Almeida - de "tradicional família gaúcha", a esposa mulher de homem público; "senhora de rara distinção e bondade, dotada de elevado espírito e exemplar formação intelectual"
Houve uma troca de cartas entre Alice Porciúncula e o diretor do Museu Gustavo Barroso, sobre as intenções de doação por parte da viúva e o interesse do Museu em receber os objetos. Processo é mediado por Pedro Calmon, historiador no Museu Histórico Nacional e sobrinho de Miguel Calmon.
A reciprocidade constituía regra básica - modus operandi característico da República Oligárquica. No Museu, sob gerência de Gustavo Barroso, a memória de Calmon seria consagrada na construção histórica da nacionalidade; Em retribuiçäo, Alice da Porciúncula doaria objetos de valor intrínseco — como as jóias, por exemplo — e de valor histórico, com objetos que figuraram acontecimentos importantes, imbuídos de valores simbólicos (prestígio e poder)
Alice Porciúncula teve papel fundamental na escolha dos objetos doados, que forneceriam uma narrativa sobre Miguel Calmon “homem público”
A Construção do Homem Público - Imortal
O homem modelo construído a partir de um discurso de verdade, ou uma “narrativa-verdade”. Esse homem público é identificado com um “bem maior”, a pátria. Foi feita uma construção narrativa expositiva partindo da evocação da trajetória familiar e educacional dos Calmon para, por fim, relatar seus empreendimentos na construção da nação.
Conciliar a formação e atuação técnico-científica com a trajetória oligárquica/política da família. A figura de Calmon é atrelada a ideia de civilização e progresso, por sua racionalidade e qualidades técnicas. Calmon traz a união de dois aspectos essenciais: o “berço”, que o liga às elites oligárquicas, ao passado glorioso e à tradição, e a formação técnico-científica que o liga à modernidade. O privado encontra-se subordinado ao público no processo de imortalização do sujeito.
CONTANDO UMA HISTÓRIA DO BRASIL
A reconstrução do passado feita pelo Museu Histórico Nacional priorizava a atuação de um Estado iluminado, esclarecido e civilizador.
Para Gustavo Barroso o Museu contribuia para o desenvolvimento da cultura do país, trazendo o jovem e a criança para o museu segundo o pressuposto de ¨modernas teorias¨ de estudiosos e estrangeiros.
O passado, por meio dos objetos ensinava sobre o presente visando a consciência patriótica. O Museu era auxiliar do Estado Nacional em seu objetivo de transformar o conjunto de habitantes de um território em cidadãos.
QUE PAÍS É ESTE?
A construção da nação brasileira, na perspectiva de Barroso, ancorava-se no culto às tradições, na
ênfase na relação de continuidade do Brasil com Portugal. O papel da civilização portuguesa era o que assegurava em parte a construção da nação brasileira. Sob essa perspectiva a nação é uma construção do Estado e da Coroa, com importantes papéis desempenhados pela nobreza e pelo Exército.
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