Museu
Há pratos, mas falta apetite.
Há alianças, mas o amor recíproco se foi
há pelo menos trezentos anos.
Há um leque — onde os rubores?
Há espadas — onde a ira?
E o alaúde nem ressoa na hora sombria.
Por falta de eternidade
juntaram dez mil velharias.
Um bedel bolorento tira um doce cochilo,
o bigode pendido sobre a vitrine.
Metais, argila, pluma de pássaro
triunfam silenciosos no tempo.
Só dá risadinhas a presilha da jovem risonha do Egito.
A coroa sobreviveu à cabeça.
A mão perdeu para a luva.
A bota direita derrotou a perna.
Quanto a mim, vou vivendo, acreditem.
Minha competição com o vestido continua.
E que teimosia a dele!
E como ele adoraria sobreviver!
A poetisa polonesa Wisława Szymborska (Visuáva Chamborska),(1923-2012) foi ganhadora do Nobel de Literatura de 1996.
Em fins de 2016 conheci essa senhorinha que me impactou de uma forma absurda.
Tem dois livros dela publicados no Brasil, pela Companhia das Letras:
E pesquisando agora sobre ela para encontrar alguma foto para postar aqui, achei esse link com alguns poemas dela









